13 de maio de 2020

Horta escolar


Ainda sem que os alunos da turma 5º D, da Escola EB (2º ciclo) António Dias Simões, possam presencialmente acompanhar o desenvolvimento de cada uma das espécies hortícolas, que foram plantadas dias antes da comunidade escolar se recolher numa longa quarentena, como consequência do vírus Covid-19, que obrigou ao confinamento social, e neste caso, a deixarem o seu projeto da “horta escolar”, à mercê da força e generosidade da natureza. Um animal errante, mais propriamente um Gato, com saudades do movimento irreverente e da alegria dos alunos no recreio, quis ser personagem nesta história.
Cerca de dois meses sem a natural relação com os alunos, que ali era suposto partilharem aprendizagens, sobre as várias fases de crescimento das espécies vegetais, que integram esta pedagógica experiência. A área da antiga “horta pedagógica” em parte reativada, vai dando sinais de resiliência ao vazio e ao silêncio que representa a ausência dos alunos na escola, nomeadamente, daqueles que teriam a tarefa e objetivo de cuidar e observar, com a natural curiosidade, a evolução da sua “horta”. 
Mas nestes dias estranhos, até no relacionamento entre humanos, a “horta escolar” acabou por despertar a atenção de um Gato, que, ao deparar-se com um cenário quase fantasmagórico no espaço escolar, numa terra, então sujeita a um “cerco sanitário”. Reparando num espaço, em que as espécies hortícolas como: couve-flor, couve penca, alho francês, alface, salsa ou espinafres. Pareciam mostrar no seu frágil crescimento, algum sofrimento e angustia pela falta da presença dos 21 alunos da turma 5º D, que só podem ter novidades por meios digitais nestes tempos de distanciamento. Assumiu olhar pela horta e dela cuidar, dedicando assim a sua atenção a este pedaço de terra cultivada, em que crescem as espécies ali plantadas, que ficaram impedidas de receber o carinho e a atenção dos jovens alunos.
Ultrapassados os medos, o Gato, que viu os especialistas de saúde pública, confirmarem que não são transmissores do Covid-19, acabou por dedicar algum do seu tempo, a manter viva e mais digna a “horta” do 5º D, convicto que os alunos não lhe perdoariam qualquer atitude de indiferença a manter minimamente viçosas as plantas.
Mesmo sem um nome, ao contrário da gata com mais sorte, a “Princesa”, que continua a beneficiar de uma cuidada quarentena e confinamento. O Gato errante, entretanto deu por concluída a sua jorna e partiu, talvez na esperança, de que nestes tempos de pandemia, em que foram e são imensos os bons exemplos de iniciativa e solidariedade aos mais frágeis. Outros disponíveis voluntários se disponibilizarão a dar continuidade a este projeto do 5º D, para que a sua vida se prolongue até ao próximo ano letivo e a sua vida seja alimentada pela relação desta turma entretanto no 6º ano, certamente com a professora Celisa Salvador como Diretora de Turma. 

José Lopes 
Assistente Operacional 

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